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Caso 11: Fábulas favorecem alfabetização de crianças (Competência 4)

12/set/2018


Professora:
Erika Silva do Carmo.
Quem é a professora: Licenciada em normal superior e especialista em educação infantil, leciona na rede estadual e na escola há 3 anos. Foi a vencedora do Amazonas, na etapa dos anos iniciais do ensino fundamental (ciclo de alfabetização – 1º, 2º e 3º anos), na 10ª edição do Prêmio Professores do Brasil

Escola: Escola Estadual Coronel Cruz
Municipio: Itacoatiara UF: Amazonas
Etapa de ensino: Ensino Fundamental / Anos Iniciais

Ano: 2016
Área de conhecimento: Linguagens
Componente curricular: Língua Portuguesa

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Fábulas favorecem alfabetização de crianças

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Prática baseada nessas narrativas cativa estudantes do 1º ano de escola do Amazonas, ajuda na adaptação da educação infantil para o ensino fundamental e resulta em ganhos de aprendizagem em leitura e escrita

No início do ano letivo de 2016, ao exibir um vídeo para a turma do 1º ano do ensino fundamental, a professora Erika Silva do Carmo, de 36 anos, percebeu que a agitação entre as cerca de 30 crianças, na faixa etária entre 6 e 7 anos, perdeu força. As atenções se voltaram para as fábulas que estavam sendo reproduzidas na TV.

A percepção de que histórias curtas, com animais falantes, atraíam o interesse dos estudantes foi o ponto de convergência que os três professores do 1º ano buscavam para o desafio de iniciar o ciclo de alfabetização das crianças que desembarcavam no ensino fundamental com a necessidade de desenvolver leitura e escrita.

Em parceria com os colegas Andrea Carlos e Ederson Santos, a professora Erika iniciava então o desenho do projeto “Minha escola lê e multiplica saberes: viajando no mundo das fábulas”, prática desenvolvida por meio de diferentes linguagens, especialmente a verbal, para partilhar experiências e vivências no sentido do avanço na alfabetização.

“Percebi que eles estavam saturados de contos de fada e as fábulas são mais curtas, têm animais, o que chamava mais atenção, e eram mais divertidas para as crianças. Poderíamos construir um trabalho em cima da leitura e da escrita”, afirma Erika.

O início da prática esbarrou na dificuldade de os professores encontrarem livros com fábulas para apresentar aos estudantes. Sem esse material na biblioteca, Erika teve que fazer pedidos em Manaus, distante quase 300 quilômetros de Itacoatiara, cidade da escola do Amazonas. Andrea, responsável pela outra turma do 1º ano, fez o mesmo.

As duas professoras também pesquisaram materiais na internet para fazer pequenos livros, criando um espaço de leitura na sala de aula. As fábulas eram baixadas em slides e os livros, montados e presos a um barbante. Levadas ao “cantinho da leitura”, as crianças escolhiam as fábulas que queriam ler ou ouvir, entre as mais conhecidas, como as da galinha ruiva, da galinha dos ovos de ouro e da lebre e da tartaruga.

“Criávamos situações para aprimorar a leitura deles”, relata Erika. “Algumas crianças já conseguiam ler textos pequenos, mas a turma não estava totalmente alfabetizada”, diz.

Com os alunos cativados pelas histórias, foi possível trabalhar, por exemplo, os nomes dos bichos, a separação de sílabas e os encontros consonantais em cima de falas dos personagens, estimulando releituras e reescritas. “O projeto é voltado primeiro para a leitura. Não adianta escrever se não sabe o que está escrevendo”, diz Erika.

Em outro momento, os alunos faziam desenhos com base nas fábulas que viam ou ouviam e também as recontavam, com base nas próprias ilustrações. Depois que as crianças ilustravam as narrativas trabalhadas em sala, sob orientação da professora, faziam a reescrita das fábulas e algumas delas escreviam os nomes dos personagens.

“Alguns tiveram a iniciativa de criar a própria história, oralmente. Eles têm uma imaginação muito fértil e o professor tem que explorar isso”, afirma Erika. “É curioso como, muitas vezes, a gente subestima as crianças e não presta atenção nos detalhes que elas trazem. É importante deixá-las criar”, acredita.

A interpretação das fábulas serviu para intervenções da professora com a finalidade de integrar à sala uma estudante que recebia apelidos dos colegas e sofria bullying porque tinha uma deformação no rosto. “Trabalhamos isso com as fábulas, que têm sempre o moral da história, para que entendessem que as pessoas são diferentes. Os apelidos pararam e começaram a aceitar a aluna como ela era”, conta Erika.

O trabalho de interpretação também foi apoiado com o uso de fantoches. As dramatizações feitas com os estudantes na sala de aula ajudaram a avaliar o entendimento que eles faziam das histórias e também deram base para a apresentação da “Fábula das Três Árvores” na feira literária da rede estadual do Amazonas. Além de escolherem a fábula, as crianças ajudaram a construir as máscaras dos personagens, com pinturas, recortes e colagens, e fizeram a encenação.

“A dramatização das falas foi o momento mais esperado. Até alunos mais calados quiseram participar. O melhor resultado é constatar o desenvolvimento das crianças e vê-las lendo no final do ano”, afirma Erika.

Na feira literária da rede estadual, o projeto foi o vencedor na categoria dos anos iniciais do ensino fundamental em 2016, o que impulsionou a sua sequência com turmas do 1º ano. No ano seguinte, ganhou novamente este prêmio, com fábulas que continham animais da região amazônica, como a onça e o boto, construídas com a ajuda dos pais. De acordo com Erika, a proposta para 2018 é que as crianças construam as histórias, criando as próprias falas e usando como inspiração as lendas amazônicas.