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Caso 4: Encantamento musical (Competência 4)

12/set/2018

Professor: Diogo Silas de Ajala Lobo
Quem é o professor: Licenciado em artes visuais, leciona há três anos na escola. Foi destaque estadual do Mato Grosso do Sul, na etapa de creche, na 10ª edição do Prêmio Professores do Brasil.

Escola: Centro de Educação Infantil José Eduardo Martins Jallad (CEI Zedu)
Municipio: Campo Grande UF: Mato Grosso do Sul
Etapa de ensino: Educação Infantil - creche e pré-escola

Ano: 2016
Área de conhecimento: -
Componente curricular: -

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Encantamento Musical

caso4_bannerEm Campo Grande, professor de artes introduz musicalização na educação infantil e busca soluções diversas para cativar estudantes de diferentes idades, com a ajuda até de um palhaço de rua

Ao começar a dar aulas no Centro de Educação Infantil do Parque dos Poderes, em Campo Grande, o professor de artes Diogo Lobo, de 28 anos, percebeu que o olhar musical da coordenadora pedagógica poderia abrir caminho a um projeto que desejava pôr em prática: levar a música ao centro de suas aulas na educação infantil.

O gosto pessoal pela música aliava-se ao desejo do professor de usar notas, acordes e canções como forma de partilhar informações e experiências e produzir sentidos para conectar as crianças ao processo pedagógico.

Nesse sentido, o propósito do projeto “Musicalização na educação infantil: cantando e encantando”, posto em prática do berçário ao final da educação infantil, em um universo de quase 400 crianças atendidas, foi construído para ir além do senso comum de usar músicas para “acalmar” as crianças, distrai-las ou fazê-las dormir.

“É momento de prazer, mas também é recurso pedagógico, inserido na matemática, na contação de histórias, na criação da imaginação. Não é só uma música para a criança cantar”, afirma Diogo. A partir da implantação do projeto, foram muitos os desafios, a começar pela montagem das aulas. O professor de artes começou a pesquisar materiais pedagógicos e a baixá-los da internet, no computador e também no smartphone, usado na classe com o auxílio de uma caixa de som. Levou instrumentos para a sala de aula, como chocalhos, teclado e violão, reuniu melodias e passou a compor letras de músicas.

“Trabalhamos em cima dos temas do planejamento anual da escola”, diz.

Diogo foi atrás de instrumentos pequenos para que as crianças pudessem manipulá-los e produzir os sons. Começou a partilhar noções de ritmo e harmonia. “Levava um pandeiro, um chocalho e dizia ‘pra lá, pra lá, pra lá...’ para que tocassem no ritmo da música ou junto comigo. Eles começam a tocar da maneira deles. Ninguém espera que toquem certo, mas vivenciem da maneira deles.” Para crianças com mais autonomia, o professor criou brincadeiras um pouco mais sofisticadas. O planejamento foi feito para desdobrar as atividades de acordo com as diferentes etapas da educação infantil.

“No berçário, você pode captar a reação deles ouvindo o som da galinha e registrar essa reação”, exemplifica. “Se eu for trabalhar ‘Escravos de Jó’: crianças do berçário só ouvem, as mais velhas ouvem e manipulam (instrumentos) e as do pré manipulam no ritmo da música. As crianças vão se desenvolvendo e aprendendo sem perceber, brincando”, afirma.

Além dos desafios de planejar e montar as aulas, o professor sentiu também necessidade de encontrar meios de “encantar” os estudantes. Foi então ao encontro de um palhaço de rua chamado Putuco, figura conhecida em Campo Grande, e fez uma espécie de estágio com ele. Ao acompanhá-lo, em uma praça da cidade, recebeu a lição que levaria ao projeto: “Você tem que, em primeiro lugar, atender o pedido das crianças. Depois, você faz o que estava planejado”, ouviu de Putuco. A orientação do palhaço foi incorporada à sala de aula. “Se a criança pede, toco na hora. Antes de ensinar uma música, canto as canções que eles querem. Entre essas canções, começo a proposta daquele dia. Se no meio da aula tem outro pedido, canto na hora. Isso para que eles possam dar abertura para eu inserir algo novo”, diz Diogo.

Para respeitar os princípios do ensino laico, o professor teve o cuidado de evitar canções religiosas, parte de sua iniciação musical, substituindo-as por repertório próprio, de cantigas de roda ou músicas infantis de artistas regionais e nacionais.

As famílias relataram ao professor que perceberam em casa os aprendizados, com os filhos reconhecendo artistas e sons de instrumentos usados na execução de uma canção, por exemplo. Algumas crianças também passaram a pedir aos pais que as levassem a apresentações musicais. Os resultados se tornaram evidentes também na escola. Crianças tímidas ou com algum tipo de deficiência se integraram mais aos colegas e à rotina da educação infantil e outras ficaram mais comunicativas ou começaram a cantar e pedir músicas.

Implantado em 2016, o projeto de musicalização ganhou corpo e seguiu nos anos seguintes como parte das aulas de artes da escola, quebrando resistências. “Fui convencendo as professoras que aquela aula tinha relevância e a música não estava sendo tocada ou cantada por acaso”, afirma Diogo.