Educação

A tecnologia veio para ficar 

Passado o período mais conturbado da pandemia – fechamento das escolas, desafios das aulas remotas e adaptação ao novo normal – hoje é possível olhar para trás e avaliar quais foram os aprendizados deste período. Obviamente, muito da retomada de confiança, como a abertura das escolas, se deve ao fato de termos mais de 60% da população brasileira vacinada e já na expectativa da terceira dose.

Embora o processo de ensino e aprendizagem tenha sofrido forte impacto pela pandemia, sinalizando à comunidade escolar o tamanho do desafio que virá pela frente, aprendizados como o uso das tecnologias e a experimentação do ensino híbrido são legados que beneficiarão tanto professores quanto alunos.

O uso das tecnologias na sala de aula não é totalmente inédito, pois em algumas escolas já era utilizada como complementar às atividades pedagógicas, embora seu uso fosse esporádico. Então, por que dar destaque a esse assunto?

Quando falamos de qualquer tema relacionado à Educação no Brasil, temos de recordar que os cenários e contextos do país são diversos: não há homogeneidade de escolas e nem mesmo de acessos por parte dos estudantes. Portanto, o que o período de aulas remotas proporcionou foi a possibilidade de mostrar alternativas e apresentar o ensino híbrido a uma quantidade maior de professores do país, ainda que, em muitos casos, não fosse totalmente bem-sucedido ou de fácil adaptação.  

Afinal, o que é ensino híbrido?

De acordo com a publicação “Ensino híbrido: personalização e tecnologia na educação”, fruto de uma parceria entre Instituto Península e Fundação Lemann, trata-se de uma abordagem pedagógica que combina atividades realizadas por meio das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs).

Na prática, existem diferentes possibilidades de se combinar essas atividades, porém, essencialmente, o objetivo é colocar o foco do processo de aprendizagem no estudante e não na transmissão de informação, como tradicionalmente é feito. Segundo José Armando Valente, professor do departamento de multimeios, mídia e comunicação da Unicamp, que colabora na mesma publicação, “o Ensino Híbrido segue uma tendência de mudança que ocorreu em praticamente todos os serviços e processos de produção de bens que incorporaram os recursos das tecnologias digitais. Nesse sentido, tem de ser entendido não como mais um modismo que cai de paraquedas na educação, mas como algo que veio para ficar”.

O que os professores dizem sobre essa experiência?

Para entender as expectativas dos professores em relação à retomada das aulas presenciais e quais foram os principais desafios e legados das aulas remotas, o Instituto Península realizou uma pesquisa na qual ouviu mais de 2.500 docentes em setembro de 2021. O estudo “Desafios e Perspectivas da Educação: uma visão dos professores durante a pandemia” destaca que 59% dos professores reconhecem os formatos híbridos de ensino como alternativa para personalizar e potencializar o desenvolvimento dos alunos e como uma estratégia de inovação. Além disso, 62% afirmam que o ensino híbrido melhora a autonomia dos estudantes e 58% entendem que é uma ferramenta que estimula a curiosidade.

Fabiana Costa é professora de alfabetização no CEI – Professora Dulce de Faria Martins Migliorini, em Itirapina/SP. Ela conta que no começo da pandemia, por conta das adaptações, o processo foi mais intenso e que depois, graças à cooperação da equipe, tudo ficou mais fluido. “Nós trocávamos experiências e cada um que aprendia algo, dividia com os demais”. E complementa: “Mesmo com dificuldades, conseguimos aprender a mexer em aplicativos de design e até aprendemos a fazer edição de vídeos, um mundo que antes não fazia parte da nossa rotina.”

Fabiana relata que ficou feliz em aprender uma nova forma de trabalhar e que fez o seu melhor para atender às necessidades do momento. Mas, para ela, o exemplo de sua escola ainda está distante de muitas outras pelo Brasil. “Enquanto a desigualdade social não for cuidada, acho difícil o uso de tecnologias dentro da escola pública acontecer”, comenta a professora.

Olhar para as desigualdades sociais do país e investir em políticas públicas são fatores essenciais para que todo o potencial das ferramentas digitais e aplicação do ensino híbrido sejam otimizados. Só assim, teremos cada vez mais avanços na Educação de nossas crianças e jovens.

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