Pesquisas

Após seis semanas de isolamento, professores brasileiros não receberam suporte adequado para ensinar à distância nem suporte emocional

Mesmo após seis semanas de isolamento social, 83% dos professores brasileiros, em média, ainda se sentem nada ou pouco preparados para o ensino remoto, que virou rotina em diferentes pontos do Brasil. É o que aponta a segunda etapa da pesquisa “Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil”, realizada com 7.734 mil professores de todo o país entre os dias 13 de abril e 14 de maio de 2020.

Preparação ensino remoto

83,4% dos professores revelaram que não se sentem preparados para o ensino remoto e mesmo os professores com experiência e robusta formação em tecnologias e ensino a distância foram pegos de surpresa.

88% dos professores indicaram que nunca tinham dado aula remota antes da pandemia. Ficou evidente que para o nível de ensino de educação infantil e creche, a vulnerabilidade é maior: as aulas online precisam de ter cuidadores experientes para lidar e potenciar a riqueza da primeira infância in situ, assim como uma vontade da administração pública local para acreditar na importância da primeira infância para o desenvolvimento das futuras gerações.

Infraestrutura

99% dos professores declaram que possuem o celular para trabalhar; 90% possuem notebook e 46% possuem desktop.

Os professores têm acesso a tecnologia no seu dia dia, é um grupo muito antenado. Pode ser por essa proximidade que alguns se reinventaram, viraram youtubers, aprenderam a fazer efeitos nas apresentações. Testaram sua resiliência e reviram sua prática. No entanto, para que serve um moderno e bem curado conteúdo online quando não existe letramento digital nem acesso para crianças e adolescentes por causa da desigualdade?

Apoio emocional

Quase 50% dos professores indicaram que estão preocupados com a sua saúde mental.
Alguns professores já lecionam em contextos vulneráveis, a preocupação que qualquer pessoa pode estar tendo na pandemia, se intensifica ainda mais pelas condições de desigualdade dos alunos. Ser docente é criar vínculo com os alunos. Os docentes ficam preocupados não só pela aprendizagem mais pela merenda, segurança, integridade física dos seus alunos. Como mencionado na pesquisa 75% não recebeu suporte emocional e em casos críticos como morte de entes queridos, ninguém tratou esta questão.

55% dos professores declaram que gostariam de suporte emocional e psicológico.

Como está acontecendo a troca entre alunos e professores?

Dependendo do nível de ensino as trocas são mais o menos intensas, as mensagens com as famílias são mais o menos presentes. No ensino infantil a presença do cuidador é fundamental para ter algum tipo de comunicação; aparece a confiança e a criação de vínculo entre professores e família com maior força; Surge principalmente para professoras de educação infantil a preocupação das crianças com deficiência porque as vezes nem a família sabe lidar com elas, mas já a escola tinha sido um espaço de acolhimento. Tristeza e impotência aparecem nos relatos.

No fundamental 1, os cuidadores evidenciam uma certa ansiedade com as atividades propostas pelos educadores. “Como nesse momento da vida da criança aparece o processo de apropriação da escola, quer dizer o que a escola é para mim como indivíduo, para meu filho, para minha família, pode ser que os sentimentos se tornam ainda mais evidentes nas trocas de mensagens entre família, educador e aluno porque não tem só a ver com o filho, mas também com a imagem da família com a escola” menciona Cristina Nogueira, formadora de professores. Uma troca entre ansiedade e paciência se torna visível.

Por fim para os níveis mais avançados, fundamental 2 e ensino médio, a troca tem sido bem desafiadora. Sem muita presença da família, com maior autonomia por parte dos educandos, os professores têm se deparado com a esperança de se manter conectados para blindar o vínculo já construído, mas com a tristeza de as vezes não receber resposta. Para EJA e ensino médio, as condições de desigualdade fazem com que os professores sintam uma impotência pela vulnerabilidade evidente do processo educacional de muitos desses jovens adultos, porque em muitos casos tiveram a obrigação com suas famílias de apoiar o sustento familiar, em vez de tentar estudar.

61% está em contato com seus alunos, sendo que desses 83% fazem contato via whatsapp. A não ser que os docentes optassem pela opção de conta comercial, os horários de atendimento e de troca se tornaram permanentes, 24/7. Algumas escolas mais estruturadas definiram rotinas tanto para manter as aulas, quanto para retroalimentar alunos e famílias. Algumas redes mais precavidas ainda estão definindo as ações a executar.

Acesse aqui a pesquisa completa desta segunda etapa.

Para conhecer a primeira etapa, clique aqui.

Acesse aqui as reflexões e orientações para os gestores públicos.

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