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Planejamento da Força de Trabalho Docente no Brasil

Estudo do Instituto Península traz insights do mercado de trabalho do professor e fala da importância do planejamento da oferta e demanda de profissionais em todo o País

Para melhor retratar o cenário atual da profissão professor no Brasil e atrair jovens para a carreira, o Instituto Península – organização que busca a melhoria da qualidade da Educação brasileira e que acredita que o principal agente da transformação é o professor – lançou o documento Planejamento da Força de Trabalho Docente. O documento sistematiza o resultado de três estudos inéditos do IP, sendo um deles realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Além de analisar a organização da oferta e demanda de professores da Educação Básica no País, o documento revela que a carreira docente ainda é pouco atrativa para os jovens, especialmente por estereótipos criados em torno da profissão, como o do “professor herói” – aquele que precisa “salvar a Educação” sozinho, sem ajuda – e de que a profissão é sofrida. Entre diversos achados, o estudo ainda aponta a urgência em se pensar em um Sistema Nacional de Educação integrado para melhor planejar a oferta e demanda de professores nacionalmente, coordenando esferas federal, estaduais e municipais.

“Não basta apenas formar mais professores, é preciso atenção a outros fatores: olhar para quem escolhe entrar na carreira, garantir uma formação adequada, planejar a distribuição destes profissionais no mercado de trabalho e estimular que invistam em sua formação continuada. Além disso, reter e alocar corretamente esses profissionais é muito importante – e, para isso, a profissão precisa ser competitiva frente a outras”, afirma Heloisa Morel, diretora executiva do Instituto Península.

Vale destacar que, dentro do setor púbico, o professor é a categoria mais numerosa, com 22% do total de vínculos empregatícios. Isso não significa, porém, que a demanda por educadores está sendo suprida adequadamente. Embora seja uma lógica complexa, diferentes áreas do governo podem e devem contribuir nos esforços de equilíbrio da oferta e demanda de professores nas redes de educação.

Cenário atual

O estudo identificou que, na última década, houve uma melhora no número de professores disponíveis para atender aos alunos. Mesmo com essa boa notícia, a demanda das redes por educadores pode ser feita de maneira mais estratégica: em primeiro lugar, avaliando o número necessário de professores e, na sequência, pensando em alocar professores adequadamente para as disciplinas, de acordo com a sua formação.

O estudo encontrou também desafios de adequação na formação dos professores para a área de conhecimento em que o docente leciona. Isso significa que ele dá aulas em mais de uma disciplina em todas as etapas de ensino. “Um professor formado em Física, por exemplo, acaba dando aulas de Matemática, pois é uma disciplina de Exatas”, exemplifica Heloisa. As áreas de conhecimento com mais dificuldades de adequação dos docentes são Química, Sociologia, Educação Física, Artes e Filosofia. Ao olharmos para as regiões, Sudeste e Sul possuem melhor adequação do que as regiões Norte e Nordeste.

Uma das conclusões do estudo é que podem faltar professores qualificados no Brasil – ou seja, adequados à disciplina que lecionam. “Portanto, é urgente criar espaços de discussão e planejamento da força de trabalho docente para definir acordos para atrair mais jovens para a carreira e para reter profissionais. Sem esquecer, é claro, do desenvolvimento profissional contínuo deste professor”, ressalta a diretora do IP.

Senso comum

Quando o assunto é atratividade da carreira, o estudo identificou que a escolha dos jovens pela profissão é baseada em estereótipos e senso comum sobre a prática profissional. “O professor é, muitas vezes, envolto em uma narrativa de heroísmo e sofrimento, que não representa a realidade da profissão. O professor não está sozinho para ensinar os alunos e ele também não pode ser encarado como herói ou vilão”, conta Heloisa. E complementa: “O momento é propício para melhor informar o jovem sobre a prática profissional do professor, as competências necessárias, o mercado e as condições de trabalho, entre outros fatores que podem influenciar sua escolha. Especialmente, depois da profissão ter ganhado tanta visibilidade durante a pandemia e ter sido mais valorizada pelas famílias com crianças e adolescentes em idade escolar.”

Outro achado foi que há uma percepção dos jovens de que ser professor no Brasil não dá retorno financeiro. No entanto, a renda familiar dos jovens que participaram da pesquisa é de cerca de R$ 3.000, enquanto o piso salarial de um professor em início de carreira é de cerca de R$ 2.800 – ou seja, praticamente a renda de toda a família. O lugar onde os jovens moram também pode influenciar a escolha da profissão, dada a realidade da carreira em cada região: jovens do Ceará, por exemplo, têm maior predisposição para escolher a docência (15%) em contraste com os do Espírito Santo (0%).

Acesse as pesquisas que compõe o estudo:

Pesquisa Oferta e Demanda de Professores no Brasil

Nota Técnica

Pesquisa Atratividade da Carreira Docente no Brasil

Boa leitura!

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